Categoria: Crónica
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Um barbeiro diplomado
Quando tinha a idade das vinhas a assumirem-me diariamente os olhos, comecei eu a sentir uma admiração respeitosa, que o respeitinho é muito bonito, pelo senhor José. Para ser doutor só lhe faltava o curso, que o diploma já toda a gente lho conhecia, e como tal era tido e havido na aldeia. O senhor…
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Os cravos e o pão
[vc_row][vc_column][vc_column_text]Deus fez-nos livres; Salazar quis rivalizar com Deus e negou-nos o direito à liberdade, acorrentando-nos a um corporativismo medieval e indiscutível. Tão ferozmente indiscutível que os seus esbirros iam esmagando, uma a uma, as sementes da filosofia política libertadora, como se fossem vermes corrosivos. A criação filosófica atrofiou-se, alguma da mais sã e válida literatura…
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Cantares de cegos
[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”79398″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Viam-se com frequência nas feiras da nossa terra cegos a cantarem com o fito na esmola das pessoas que entretanto os rodeavam. Pessoas muitas vezes interessadas, até à emoção, nas geralmente suaves e dolentes histórias que iam ouvindo. Esses tão simpáticos herdeiros dos jograis medievos vêem-se cada vez menos, que as…
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Feira dos namorados em Vila do Conde
[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”78499″ img_size=”full” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Fui lá uma, duas… olhe, aí umas três vezes. Que é como quem diz três ou quatro anos. Era a feira mais catita de Vila do Conde. Sempre, batia sempre no dia de S. Sebastião: no vinte de Janeiro, como o senhor deve saber. Ora… claro que sabe. E quanto ao…
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Festa das fogaceiras
[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”72645″ img_size=”full” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Em 1749 e 1753 não se cumpriu a promessa dos feirenses ao Mártir S. Sebastião. Tanto bastou, reza a tradição, para que a peste voltasse a terras de Santa Maria da Feira. O carácter lúdico da festa e procissão das Fogaceiras, em honra de S. Sebastião, prende-se à evocação mítica em…
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Camilo e o livro de S. Cipriano
[vc_row][vc_column][vc_column_text]Em Vinte horas de liteira diz-nos Camilo que perguntou a um seu companheiro de viagem, António Joaquim, se não tinha uma história de feitiços para lhe contar, enquanto a liteira ia de longada desde Ovelhinha (Marão) até ao Porto. E o interpelado respondeu-lhe que no género mágico sabia uma ocorrida com o seu tio João…
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O jogo autárquico
[vc_row][vc_column][vc_column_text]Certos órgãos do poder, não só em Portugal, cultivam a superficialidade porque ela, sendo o espaço imediato, se converte facilmente num meio de promoção. O que lhes importa é a acção vistosa e concordante com as tendências do gosto dos espectadores, o qual é na generalidade o gosto para esquecer o quotidiano, o gosto-passatempo. Os…
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Ainda o caminho de Santiago
[vc_row][vc_column][vc_column_text]Pelo que disse no número anterior, parece justificar-se a existência de placas nalgumas estradas portuguesas a atestarem que por ali passaram peregrinos rumo a Compostela. Mas atenção, leitores, isto de alcançar o título oficial de peregrino não é pêra doce. É preciso jornadear pelo menos cem quilómetros a pé ou duzentos de bicicleta. Coisa que…
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Quadras e quadros
[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”79480″ img_size=”full” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Gosto de me servir dos dicionários. Quantas ideias me oferecem, sem pedirem em troca mais do que o preço de os comprar e/ou consultar! Abro o Petit Larousse e leio (traduzo): “revolução: mudança brusca e violenta na estrutura económica, social ou política de um Estado”. É evidente que estou a pensar…
