Autor: António Cabral

  • Por aqui não

    Por aqui não

    [vc_row][vc_column][vc_single_image image=”6957″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Por aqui não há fábricas, há uns lagares de azeite e é um pau; mas também não há greves: já o negócio não vai assim tão mau. Nas eleições toca-se em tom de lá de baixo: essa é a cau- sa de os que mandam manda- dos terem umas promessas de…

  • Provérbios da vinha e do vinho

    Provérbios da vinha e do vinho

    O uso corrente da língua torna o provérbio como sinónimo de ditado popular, adágio, anexim e rifão. Alguns linguistas têm feito a distinção dos termos, valendo a pena observar que o anexim apresenta geralmente forma rimada e carácter moralizante (ex.: quem o alheio veste/ na praça o despe) e o adágio, voltado também para a…

  • Pinhão, 8,20

    Pinhão, 8,20

    [vc_row][vc_column][vc_single_image image=”7712″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Em Junho, a fruta começa a apetecer. Um homem passeia no cais e debulha uma nêspera com ar de quem faz horas. 8,20 – diz o relógio. Espera-se. O comboio, um monstro de cem bocas, pardo e caduco, fumega lentamente como um charuto abandonado. Manhã de vidro. Vê-se a montanha, tem…

  • A Casa do Douro

    A Casa do Douro

    Empregados, vitrais, papéis, protestos, ralhos, tonéis e, lá do alto, um presidente. Um tronco para longas ramagens que se estendem, opulentas ou não, sobre o rio. Um tronco carcomido por velhos quindins, Em todo o caso, um tronco. Tirai a conclusão – diria Brecht. A conclusão, às vezes, é um queijo sem faca – penso…

  • À minha filha Eva brincando com um papel

    À minha filha Eva brincando com um papel

    1 Tu és o ser mais belo do mundo. O ser em toda a sua beleza enchendo o meu espaço. Que bom, filha, falar-te com esta simplicidade! Vejo em ti o mundo que começa, sem estrelas ainda altas, sem rios que dividem, um impulso de luz, uma luz que eu não sei donde vem, apesar…

  • À saída do correio

    À saída do correio

    [vc_row][vc_column width=”1/4″][/vc_column][vc_column width=”1/2″][vc_column_text]- Donde vem a carta, senhora Maria? – Vem da capital é da Companhia. (A Maria Pêdra tem um ar de pedra onde nem deixaram crescer uma erva). – E que diz a carta, senhora Maria? – Que no Douro o sol nasce ao meio-dia. (A Maria Pêdra fala como quem entra numa…

  • Descalça vai para a fonte

    Descalça vai para a fonte

    [vc_row][vc_column width=”1/6″][/vc_column][vc_column width=”2/3″][vc_single_image image=”8237″ img_size=”full” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]I Descalça vai para a fonte Leonor pela verdura: vai formosa e não segura. II Se tivesse umas chinelas iria melhor…; mas não: co dinheiro das chinelas compra um pouco mais de pão. Virá o dia em que os pés não sintam a terra dura? Leonor sonha de mais:…

  • O Marão

    O Marão

    Os olhos ficam nesse corpo enorme Que emerge das funduras, Lá no fundo do mundo, E põe os ombros firmes nas alturas. Cimo tão belo como irresistível! Sente-se, ao demandá-lo, O embalo Da esperança ao devorar um impossível.

  • A caqueirada

    A caqueirada

    No Carnaval até os cacos entram no banzé: cacos de louça partida e cacos de louça a partir. Como se fosse o tempo de atribuir uma função útil a sarandalhas e escassilhos que já deram o que tinham a dar. Como se o atirá-los para dentro de uma casa fosse um aviso; como se provocá-los…

  • O molho de giestas

    O molho de giestas

    [vc_row][vc_column][vc_single_image image=”8122″ img_size=”large” alignment=”center”][vc_column_text]Quando vem ao longe com um molho de giestas, talvez ela pareça outro molho em posição vertical. Desajeitada. Um dia, um turista, depois de a fotografar com um ar de arqueólogo, e de lhe atirar uns olhos vomitados sobre os pés, cuspiu muito simplesmente para o lado. Vinha descalça. Talvez por comodidade,…