Autor: António Cabral
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Poesia e amoras
[vc_row][vc_column][vc_column_text]Quero que este poema saiba às amoras que pendem em cachos nos muros do caminho. No meio do vale estou eu só. Lentamente a manhã possui-me e vibro. Não há torrão e arbusto que não vibre; sinto-me irmão de arbustos e torrões. Aquele medronheiro, verde e ossudo, entrou-me todo pelos músculos. Pastor que segues lento…
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Jogo da Macaca
[vc_row][vc_column][vc_column_text] A criança brinca muito, brinca onde quer que se encontre, se tem condições psicofisiológicas para isso: em casa, na escola e na rua, quando se veste, lava, come e caminha, mesmo quando estuda ou reza, quando canta e até quando chora. Mesmo quando brinca, pode fazer dos lances de um determinado jogo motivo para…
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Maio-Moço
[vc_row][vc_column][vc_column_text]O meu Maio-Moço ele lá vem vestido de verde que parece bem. O meu Maio-Moço chama-se João; faz-me guarda à casa como um capitão. Refrão Ele lá vem pelas hortas abaixo. Ele lá vem. pelas vinhas acima. Viva, viva lá! Que passe muito bem. É esta uma cantiga algarvia que alude ao costume de um…
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Os búzios do 25 de Abril
No dia vinte de Abril de um, nove, sete, quatro, eram quatrocentos búzios os que enchiam um salão
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Apesar de tudo
[vc_row][vc_column][vc_column_text]Apesar de tudo, existe a beleza e, um dia, sabemos que ela passou no vale onde aceitámos viver. Basta um sonho e do suor eleva-se o perfume das laranjeiras. Basta um sorriso e todos nos sentimos verdadeiramente irmãos. Um dia fechamos o escorpião do medo no círculo triunfante do nosso amor: É tão simples –…
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Algumas tradições do Carnaval (em Trás-os-Montes e Alto Douro)
[vc_row][vc_column][vc_column_text]Em Paradinha Nova fazem bonecos de palha, no dia de Carnaval, e distribuem-nos pelos bairros da aldeia. À noite, embarram-nos em árvores e destroem-nos à pancada, com paus. Em Pinela e Babe, os vizinhos entram em casa no dia de Carnaval e trocam a panela do butelo por outra onde há apenas cebola. Em Babe…
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Eiqui, Douro
[vc_row][vc_column width=”2/3″][vc_single_image image=”70679″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Eiqui, Douro. L Paraíso de l bino i de l sudor. Dun riu ne l berano oussudo i afilado cumo la giente, quando l’alma s’arrama pulas frinchas de la piel; riu tamien barrento, la quelor de la tierra, pa que l’alma seia anteira; riu de las grandes mundiadas, de l…
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Arte poética
[vc_row][vc_column][vc_column_text]Palavra que não se invente não é quente. Palavra que não tem dente não é gente. Flor que (fruti)fique no ramo todo o ano e o vergue para o chão ao alcance da mão. [/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]
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Lendas mouras do monte de S. Leonardo
[vc_row][vc_column][vc_column_text]A ponta de rochedos que é o morro de S. Leonardo, em Galafura, debruçado sobre o grande vale duriense, presta-se a que ali florissem lendas de mouras encantadas, cerzidas umas nas outras e afins das que pululam por toda a região. O que as distingue é constituírem um conjunto harmonioso e pitoresco, ligado ao efeito…
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Cruzeiro no Douro
[vc_row][vc_column][vc_column_text]O que mais perplexo me deixou numa viagem rio acima foi este velho e célebre pensamento: o caminho que sobe e o caminho que desce são um e o mesmo. Olhei em várias direcções e acabei por revelar a minha perplexidade a um companheiro de ocasião que como eu estava junto da amurada. Para mim…