Autor: António Cabral
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Meditação com um menino
[vc_row][vc_column][vc_column_text]“Aonde vás, niño?” Luís Alberto de Paraná 1 Aonde vais, menino, com esse olhar que se alonga, alonga como se fosse dar a volta ao mundo? Quantos anos tens? Que idade futura? Quem te deu esses olhos e pôs uma bárbara estrela a devorar o silêncio? 2 Podias ter ficado na rua com os outros…
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Quadras e quadros
[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”79480″ img_size=”full” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Gosto de me servir dos dicionários. Quantas ideias me oferecem, sem pedirem em troca mais do que o preço de os comprar e/ou consultar! Abro o Petit Larousse e leio (traduzo): “revolução: mudança brusca e violenta na estrutura económica, social ou política de um Estado”. É evidente que estou a pensar…
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Junqueiro na berlinda
[vc_row][vc_column][vc_column_text]“Inquiriram, uma ocasião, de Junqueiro que paisagem portuguesa preferia. Respondeu: – Prefiro o Buçaco e as praias do Sul. A floresta e o mar são as aproximações do infinito. A floresta é uma oração; o mar uma grande messe de ondas. – E Barca de Alva, Sr. Junqueiro? – Barca de Alva é demasiado trágico…
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Baile de caretos
[vc_row][vc_column][vc_column_text]A Cristina teve de optar entre dois pretendentes e optou. O Zeca não tinha nada com isso, pois não, mas jurou vingar-se, escolhendo um momento azado do Entrudo, o baile de caretos que o Vespertílio organizava anualmente no salão de festas. O baile começava à meia noite e prolongava-se até às tantas da matina, sendo…
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Não é fácil, Senhor, a vida que nos deste
[vc_row][vc_column][vc_column_text]Não é fácil, Senhor, a vida que nos deste. Se há momentos serenos como lagos inundados de sol, também há a seiva escura, infindável e escura, de muitas horas que cansam e fazem doer a alma. Há longas esperanças que, depois de levarem o melhor dos nossos sonhos, desabam de repente. Há o fracasso, o…
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Historinhas de Galegos no Douro – parte 3/3
[vc_row][vc_column][vc_column_text] As chouriças doces [/vc_column_text][vc_column_text]Ao fim duns tempos, juntaram-se os três grupos porque já tinham saudades uns dos outros. Foram dar a uma aldeia onde se distribuíram por quatro casas de lavoura. A um rancho numa delas deram-lhe chouriças doces com água-pé. Comeram, comeram e tanto gostaram que pediram à patroa-nai [1. mãe] que lhes…
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Historinhas de Galegos no Douro – parte 2/3
[vc_row][vc_column][vc_column_text] Amaruchar amarucham [/vc_column_text][vc_column_text]Um dia, iam de uma aldeia para outra e sentiram fome. Viram um portuguesito que estava a varejar umas nogueiras e lá lhes pareceu que eram pessegueiros. Regulavam mal da cabeça, tal a larica e a sede que deles se tinham apoderado. O mais afouto e reguila, o tal que contava os…
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Historinhas de Galegos no Douro – parte 1/3
[vc_row][vc_column][vc_column_text]Nestas historinhas de galegos a quem o Douro muito deve mantenho, quanto à estrutura diegética, o que me foi contado sobretudo pelos meus pais, quando eu era ainda criança, e que numas curtas férias de Entrudo, passadas com a minha mulher em Castedo do Douro (8-13, Fevereiro, 2002), relembro com a minha irmã que me…
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O Caminho de Santiago
[vc_row][vc_column][vc_column_text]Entende-se por Caminho de Santiago a via que os peregrinos percorriam e percorrem até Santiago de Compostela em cuja catedral se crê estar o túmulo do apóstolo S. Tiago. De Portugal, segundo estatística dos anos oitenta deste século [1. O autor refere-se ao século XX.] , os devotos não afluem em tão grande número como…
