Autor: António Cabral

  • Os cravos e o pão

    Os cravos e o pão

    [vc_row][vc_column][vc_column_text]Deus fez-nos livres; Salazar quis rivalizar com Deus e negou-nos o direito à liberdade, acorrentando-nos a um corporativismo medieval e indiscutível. Tão ferozmente indiscutível que os seus esbirros iam esmagando, uma a uma, as sementes da filosofia política libertadora, como se fossem vermes corrosivos. A criação filosófica atrofiou-se, alguma da mais sã e válida literatura…

  • Bastou um sopro

    Bastou um sopro

    [vc_row][vc_column][vc_single_image image=”79441″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]A Arsénio Mota Os dias contam-lhe o tempo ressequido: o espaço dos passos em Ceuta, a cinza do canto gótico, pomares de coisas muito gastas. Em pequenos círculos, os olhos divisam o rosto com dificuldade: uma estátua de sal, um ceptro de água nos confins da noite. Bastou um sopro e…

  • Cantares de cegos

    Cantares de cegos

    [vc_row][vc_column][vc_single_image image=”79398″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Viam-se com frequência nas feiras da nossa terra cegos a cantarem com o fito na esmola das pessoas que entretanto os rodeavam. Pessoas muitas vezes interessadas, até à emoção, nas geralmente suaves e dolentes histórias que iam ouvindo. Esses tão simpáticos herdeiros dos jograis medievos vêem-se cada vez menos, que as…

  • O motim

    O motim

    [vc_row][vc_column][vc_column_text]Dos amotinados de 1757 nomeio a Estrelada. Se gostava da pingoleta coisa que não sei: vinho tem razões que a razão desconhece e as razões são aos milhões. Certo, certo é que o Marquês disse por cima do ombro: nas tabernas do Porto vinho só o da Companhia — ponto final. Vírgula, disse o povo,…

  • Feira dos namorados em Vila do Conde

    Feira dos namorados em Vila do Conde

    [vc_row][vc_column][vc_single_image image=”78499″ img_size=”full” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Fui lá uma, duas… olhe, aí umas três vezes. Que é como quem diz três ou quatro anos. Era a feira mais catita de Vila do Conde. Sempre, batia sempre no dia de S. Sebastião: no vinte de Janeiro, como o senhor deve saber. Ora… claro que sabe. E quanto ao…

  • Se Jesus voltasse ao mundo

    Se Jesus voltasse ao mundo

    [vc_row][vc_column][vc_single_image image=”15609″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text] I Se Jesus voltasse ao mundo, tivesse de renascer, que lugar escolheria? Gostaria de saber. Numa vivenda bonita, daquelas da beira-mar? Num hotel de cinco estrelas, com janelas a brilhar? Coro Pensem lá, mas pensem bem, que nós pensamos também. Vamos pensar, mas a sério; decifrar este mistério. É mistério?…

  • Poema com história

    Poema com história

    [vc_row][vc_column][vc_single_image image=”78048″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Éramos seis na gare da estação. Lá no fundo, encostado à parede, só, magnífico, a perna esquerda em triângulo, um rapaz tocava concertina. Um homem de calças engomadas lia o jornal e falava. Falava de guerra. “Que se matem. Uns e outros são contra nós” — comentou um velhote com ar…

  • Figos pretos

    Figos pretos

    [vc_row][vc_column][vc_column_text]Subimos aos calços mais altos em busca dos figos pretos de que a mãe tanto falava. A cor exerce em nós alguma atracção que nos leva a desafiar estes íngremes taludes onde ruíram paredes e com elas as lajes salientes que serviam de degraus. Escorregamos na luz, de pedra, e as figueiras olham-nos como gatos…

  • Pirulita ou púcara (dados)

    Pirulita ou púcara (dados)

    [vc_row][vc_column][vc_single_image image=”76956″ img_size=”full” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Um dado, numerado de um a seis, que o chamado banqueiro agita dentro de um púcaro de lata ou copo de plástico, à vista dos outros jogadores e da assistência. Volta a boca do recipiente para baixo, ocultando o dado. Numa placa ou cartão rectangular há seis casas numeradas de um…

  • Chega de bois em Barroso

    Chega de bois em Barroso

    [vc_row][vc_column][vc_column_text]A chega de bois, quando organizada segundo a tradição, é o jogo que mais entusiasmo desperta na gente de Barroso. As aldeias jogam através dos seus queridos e pitorescos representantes que são os bois do povo, sentindo-se homens e mulheres impelidos por uma força que lhes vem do fundo do tempo e do sangue. O…