Autor: António Cabral
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Homo, mensura
Eu não irei convosco, puros habitantes do sonho. O meu lugar é aqui, entre os homens: falo a sua linguagem, sinto as suas dores e tenho a consciência bem agarrada à carne e ao espírito – os dois poços em que nasce, desagua e se debate a impetuosa água do meu pensamento. Que me importam…
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Padre Max
[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”7609″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Ver os destroços do automóvel, o teu corpo ainda. E os dias cumprindo o arco, oh borboletas de fogo! Quem se atreverá a plantar-te na memória? «Foi melhor assim» – disseste, dentro já da inconsútil ideia oferecida. Era quase manhã: anoitecia o teu espírito visível nas estrelas. Digamos que não morreste,…
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Dia das mentiras
[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”73910″ img_size=”full” alignment=”center”][vc_column_text]O dia 1 de Abril é o Dia das Mentiras. Estas já se esperam e por isso na maior parte das vezes não surtem o efeito desejado. Mas há quem se descuide. Por vezes, multidões. Célebre ficou a mentirinha do jornal londrino Daily Herald, em 31 de Março de 1905: “Se tiverem…
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Páscoa
Toda a ressurreição é uma passagem. Ressuscitar é mudar de lugar. O que é possível ver no que se não vê. O milagre. E o cientista quântico é um pescador de milagres. De ostras. Há ostras por toda a parte e em cada uma delas uma pérola. A ciência e a religião, imbuídas de arte…
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Onde se fala de mortos vivos
Quando a noite invade brejos e fundões, encruzilhadas, descampados, casarões e especialmente os cemitérios, a imaginação humana tende a ser também invadida pelo sentido do oculto e pela insegurança, o que não raro está na origem de bizarras ilusões e alucinações em que falsamente se percepcionam coisas do arco da velha. “Era a mão dele,…
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Sob os álamos
Generalidades, generalidades… Só a poesia é gloriosamente múltipla: o relevo de cada ser, uma gruta.
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Jogo das andas
[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”4841″ img_size=”full” alignment=”center”][vc_column_text]Suponhamos que dois rapazes chegam a um ribeiro que não podem atravessar sem molharem os pés. Para evitarem este incómodo, tentam descobrir o processo de passarem para o outro lado, isto é, servem-se da inteligência, evocando ao mesmo tempo qualquer experiência passada. Numa palavra, engendram uma táctica. Saltar? É uma hipótese, que,…
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Flores para o Zé da Naia
Entra. Vivo nesta casa, a minha tebaida. A bem dizer, mais no prédio que na casa. E agora vais beber um copito do meu tintol, isso é que vais. Vais tu e vou eu. Por estes pucarinhos de barro que são ainda do tempo da Maria Cachucha. Que sim? Ora, à saúde dos velhos tempos.…
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Uma tradição popular do Carnaval
[vc_row][vc_column][vc_column_text]Eu era ainda pequeno, 6 ou 7 anos, talvez um pouco menos, um pouco mais, tento abrir uma janela nos véus ondulantes da memória, ele subia pela rua acima, chongla-chongla, e nós espreitávamos pelas grades do adro, uma curiosidade receosa, uma quentura a subir aos olhos e a fazê-los arder em bolinhas azuis. Era uma…
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