Autor: António Cabral

  • Aos pequenos viticultores durienses

    Aos pequenos viticultores durienses

    [vc_row][vc_column][vc_single_image image=”7701″ img_size=”full” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]A VINHA, coisa breve. Fica num altinho. E o ti Quim vê ao longe o Marão onde se afundam muitas estrelas brilhantes e é por isso que aí nascem os ventos. Se tossir, levanta-se uma revoada de estorninhos. Estorninhos, ou melhor, um cacho de tinta roriz que solta os reflexos impacientes.…

  • Jogar é um direito da criança

    Jogar é um direito da criança

    [vc_row][vc_column][vc_single_image image=”80145″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Às vezes, os pais ficam muito surpreendidos porque deram ao petiz um cavalinho com rodas e ele, às duas por três, em vez de montar no cavalinho, encarrapita-se numa cadeira, pó, pó!, aí vai ele como o Ayrton Senna. Explicação: quando uma criança já não encontra qualquer novidade num objecto, abandona-o.…

  • O homem que fugiu com o rio às costas

    O homem que fugiu com o rio às costas

    [vc_row][vc_column][vc_column_text]Nesta aldeia ainda vivem algumas pessoas que ao olharem para trás se codificam nas crenças insolúveis como areias que umas sob as outras ficam. Feiticeiras continuam a dançar na encruzilhada, algumas com dentes sãos pilhados a moribundos. Aqui havia um moinho, ali um lagar de xisto, naquele ramo de freixo um pescador se enforcara. Sexta-feira,…

  • Bruxos & curandeiros

    Bruxos & curandeiros

    [vc_row][vc_column][vc_single_image image=”6170″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Não sou dado a acreditar nos poderes ocultos de bruxos e curandeiros, relativamente à solução de problemas psíquicos e orgânicos que a ciência não resolve ou tem dificuldade em resolver. Mas entendamo-nos: lá que certas pessoas, que os consultam, veem os seus padecimentos desaparecerem ou atenuarem-se – disso é que eu…

  • Casamento de arromba

    Quando cheguei, dei logo conta de que o meu 2CV destoava dos automóveis de luxo que reluziam no largo e pelas ruelas do Fiolhoso (até ouvi um puto dizer, mãos nos bolsos e nariz apontado: “Ah, este é o melhor!”), ruelas onde também velhas casas de blocos de cantaria, meio destelhadas e de portais caídos…

  • Corrida de caracóis

    Corrida de caracóis

    [vc_row][vc_column][vc_single_image image=”6006″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Num verão dos anos 50, o Padre Adolfo Magalhães anunciou no Vidago, onde era pároco, uma corrida de caracóis. Os aquistas daquela estância termal acorreram em grande número ao salão do hotel onde o feito ia realizar-se. Muito simples. Em cima de uma mesa, o padre fantasista e bem humorado colocou…

  • Um passeio no Rio Douro

    Um passeio no Rio Douro

    [vc_row][vc_column][vc_column_text]Terminou o nosso passeio. Douro arriba, quando o autocarro passou a cavaleiro de Mazouco. De Barca de Alva até ali, com tantas curvas entre vinhas, olivais e manchas de um verde esmaecido de amendoeiras, alguns laranjais também, estes de cor mais pimpona, ao aconchego do regadio, impressionou-me o Penedo Durão com seu arreganho para terras…

  • Na noite de S. João

    Na noite de S. João

    Na noite de S. João, roubei-te os vasos, Maria. Ficaram-te dois no peito que hão-de ser meus, algum dia.

  • As panelas suspensas

    As panelas suspensas

    [vc_row][vc_column][vc_column_text]Na Idade Média praticavam-se as cavalhadas (do castelhano caballadas), torneios de cavaleiros que, com um pau ou uma cana e cavalo à desfilada, procuravam tocar em objetos suspensos de uma corda. O jogo das panelas com burro terá aí a sua origem. Espécie de imitação burlesca. Mas este jogo pode dispensar, como mais acontece, os…

  • Ratos no sotão

    Ratos no sotão

    [vc_row][vc_column][vc_single_image image=”79465″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]A Francisco Fanhais Esta gente não repara no que vai à sua frente. Nunca pára nem compara. Ai esta gente que gente! Outros escrevem a história; esta gente aceita a escrita. Roubam-lhe tempo e memória. Esta gente nem medita. Andam ratos pelo sótão do nosso belo país. Esta gente não dá…