Autor: António Cabral

  • As nossas aldeias

    As nossas aldeias

    [vc_row][vc_column][vc_single_image image=”6957″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Ainda não sabias que forma de consolação te iria esperar, ao embrenhares-te pela montanha, de aldeia em aldeia. Estava frio e por ali andava-se aos cogumelos, andava toda a gente. Somos todos cogumelos. E comestíveis, afiança-te o pára-brisas do carro. Ai as nossas aldeias exíguas, as nossas aldeias conspícuas, as nossas…

  • A Senhora dos Remédios

    A Senhora dos Remédios

    [vc_row][vc_column][vc_single_image image=”3640″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Em Setembro é a Senhora dos Remédios. Mãe, deixe-me ir à Senhora dos Remédios. Já tenho dezassete anos, já não uso tranças e sei-me portar como uma senhora: já posso ir à Senhora dos Remédios. Aquilo é que é uma festa, mãe. Disse o João que nem o Viso nem o…

  • O jogo popular. Que futuro?

    O jogo popular. Que futuro?

    [vc_row][vc_column][vc_single_image image=”6949″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Se dividirmos os jogos populares em físicos, mentais e artísticos, caso respectivamente da malha, adivinhas e desgarradas, temos de reconhecer que os primeiros são os que mais se têm identificado como jogos, quer a nível de estudos, quer da animação sociocultural. E sobre esses direi que, mais que os outros, têm…

  • Dê-me aí lume, ó chefe

    Dê-me aí lume, ó chefe

    Assim, com este pirótico chamadouro, fui abordado num areal de Vila Nova de Mil Fontes. E isso não me chamaria especial atenção, se durante a viagem, dois dias antes, ao longo de seiscentos quilómetros, rumo à foz do Mira (onde os cinquenta condenados para ali enviados por D. João II, na “mira” de povoamento, torceram…

  • Aquele São João

    Aquele São João

    O que ninguém viu, salvo uma senhora, e eu também não vi, ia lá ver essas coisas naquele tempo, foi aparecer um fantasma junto à cascata. Mas vamos por partes. Na rua em que nasci acendiam-se lamparinas na noite de São João. E também se deitava um balão, pelo menos. Era vê-lo a subir para…

  • S. Gonçalo de Amarante

    S. Gonçalo de Amarante

    Por ter querido fugir ao Inverno, a grande festa de Amarante transferiu-se do dia de S. Gonçalo, 19 de Janeiro, para o primeiro sábado de Junho, conservando-se em Janeiro a celebração religiosa e diversificando-se em Junho os folguedos, sem esquecer a memória do santo popular. Popular a valer, especialmente invocado como casamenteiro das velhas, conforme…

  • Douro, meu belo país

    Douro, meu belo país

    [vc_row][vc_column][vc_single_image image=”7700″ img_size=”full” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Douro, meu belo país do vinho e do suor, bárbaro canto arrancado à penedia por um destino que nos faz andar da alma para os olhos, dos olhos para alma! Douro, eh lá, uma nova era se anuncia e traz aos nossos ouvidos uma promessa de rosas. Ouço já o crepitar…

  • 25 de Abril

    25 de Abril

    [vc_row][vc_column][vc_single_image image=”79473″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]I Dizer-te amor que a amendoeira do cômoro floriu de novo e os belos cravos da nossa janela se debruçam agora das palavras eis uma verdade que tu compreendes melhor do que ninguém tu que me ajudaste a levantar um pouco da noite para pétala a pétala construirmos o tempo a…

  • Aqui, Douro

    Aqui, Douro

    [vc_row][vc_column width=”2/3″][vc_single_image image=”3949″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Aqui Douro. O Paraíso do vinho e do suor. Dum rio no Verão ossudo e magro como as pessoas, quando a alma se escoa pelos poros; rio também barrento, a cor da terra, para que a alma seja inteira; rio das grandes cheias, do abraço final de troncos de homens,…

  • Meu pai, um como tantos

    Meu pai, um como tantos

    [vc_row][vc_column][vc_column_text]Hoje, o meu pai trazia do campo grinaldas de espinhos. O suor escorrendo pela barba crescida. E botas e calças empoeiradas. Como chuva de fogo desabava, enorme, o sol. Outros homens passavam silenciosos. Meu pai desceu dos ombros o atomizador donde um pingo azul de sulfato caía. E, ali mesmo, amaldiçoou a terra, ele que…