Autor: António Cabral
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Aqui, o homem
Nem Baco nem meio Baco!: Aqui é o homem, desde as mãos ossudas e calosas, desde o suor ao sonho que transpõe as nebulosas. Montes de pedra dura, gólgotas onde os geios são escadas! Venham ver como sobe o desespero e a esperança, de mãos dadas. É o homem. Isso é o homem. – Nem…
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Ainda hoje se fala nesse dia
[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”79475″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Ainda hoje se fala nesse dia. Que surgiu como bola de fogo na sulfurosa montanha. Dies irae, dies illa. Distante, mas não tanto que se tenha apagado da raiva. Sobretudo os mais novos são os primeiros a recordar. Um hálito forte de Primavera excitava o húmido corpo da noite e alguns…
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A Poesia
[vc_row][vc_column][vc_column_text]A POESIA é o que há de infinito em cada palavra. Por isso muita gente sente vertigens, mal se abeira dela. Que fazer? Intrigante é que alguma dessa gente tente afugentar as vertigens com uma praga, qualquer, a qual, bem vistas as coisas, tem sempre algo de mágico, de poético. Pergunta-se: Que fazer? Será tal…
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À sombra das amendoeiras em flor
[vc_row][vc_column][vc_column_text]Almendra, nome de amêndoa, perfume de amendoeira. Se não voltasse a Almendra, suspirava a vida inteira. É assim. Quem anda longe da sua terra não sossega enquanto não regressar, mesmo numas curtas férias. Como um “brasileiro” que eu conheci na minha aldeia: “Aqui sinto-me no Reino da Glória”. Ou Guerra Junqueiro: “ai há quantos anos…”…
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As pulhas e os casamentos
– Ó CA-MA-RA-DA… A…A!… – Uma “pulha” – diz Aninhas mal disposta, olhar atento. – Embirro do Entrudo só por estas malditas “pulhas”. Põem ao léu a verdade e a mentira do bom e do mau… A este tempo já de outro ponto eminente, da Horta do Ferrão, para que os pregões se cruzem sobre…
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Mezinha de S. Sebastião
[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”7002″ img_size=”full” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Professor que sou, fiz há tempos o plano de uma visita de estudo à Mezinha de S. Sebastião, em Couto de Dornelas no concelho de Boticas, visita que também podia efectuar-se aos lugares de Samão e Gondiães que ficam ali perto, já no Minho, onde o costume secular do dia 20…
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Reis ou Janeiras
Os Reis ou Janeiras cantam-se normalmente entre os dias 1 e 6 de Janeiro, sendo este o dia em que se comemora liturgicamente a Epifania do Senhor, que é a manifestação do Menino recém-nascido. Há, porém, lugares onde o costume tem o seu começo logo a partir do Natal, o que de resto proporciona mais…
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Oito dias de nevoeiro
[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”6982″ img_size=”full” alignment=”center”][vc_column_text]Continuamos sob o nevoeiro mas sabemos que o sol anda na serra e encosta a face morna à virgindade das coisas, tocando-a com um hálito muito doce. Aqui estamos sob um tecto mole, chumbo respirado ou a carne dum monstro espacial. Os lavradores assobiam para dentro e os mais necessitados engolem os…
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Hiroxima (a ciência de matar)
Há muitas maneiras de matar: com estilhaços ou palavras, com uma fina lâmina, com um riso régio com o ar que se dá a respirar. Não sei qual era o processo mais eficiente dos Faraós. Entre os romanos a ciência estava desenvolvida: da volúpia de Nero saltavam as bestas feras ou a chama azul dos…
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Sábado em Setembro
[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”6966″ img_size=”full” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text] Pedras Salgadas Que seria da luz se não houvesse tantos silêncios incontidos? Contornamos a povoação de mãos dadas com um voo inclinado de estorninhos. A tarde perto do fim. E chegamos finalmente ao parque das Pedras Salgadas. Setembro até à cintura. Quase ninguém. E um resto de água estagnada…