Etiqueta: Luís Borges

  • Oh meu rico S. João

    Oh meu rico S. João

    [vc_row][vc_column][vc_single_image image=”7734″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Ao meu espírito, como aos de toda a gente, dá-lhes às vezes para fazer ventolas no passeio dominical. Sentida a guinada, desvio-me, como não pode deixar de ser. Ainda bem, se o imprevisto é consolador. Ir à Serra da Estrela e parar no caminho para o comes-e-bebes. O sol a derreter…

  • Eu…

    Eu…

    Da fraga jorra a água, Eu sou a fraga, A chorar de mágoa. Sou a vinha, Prenhe de vida Na vindima. A derramar folhas Como flores de todas as cores, No outono. Sou a cepa velhinha, retorcida, A contar histórias de vidas, Perdidas no esquecimento. Sou o socalco rasgado Com suor e sofrimento, Degrau da…

  • A carta

    A carta

    [vc_row][vc_column][vc_column_text] Ao António Cabral Amigo, estou bem, obrigado! (Entre nós a verdade persiste) é aqui que gosto de estar, neste largo planalto queimado onde o barrosão ainda resiste. Quero-me no meio deste Povo de suor, de nervos, de olhos baços com mãos que amadurecem o centeio e longas noites para reparação dos cansaços sem fantasmas…

  • A Poesia

    A Poesia

    [vc_row][vc_column][vc_column_text]A POESIA é o que há de infinito em cada palavra. Por isso muita gente sente vertigens, mal se abeira dela. Que fazer? Intrigante é que alguma dessa gente tente afugentar as vertigens com uma praga, qualquer, a qual, bem vistas as coisas, tem sempre algo de mágico, de poético. Pergunta-se: Que fazer? Será tal…

  • As nossas aldeias

    As nossas aldeias

    [vc_row][vc_column][vc_single_image image=”6957″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Ainda não sabias que forma de consolação te iria esperar, ao embrenhares-te pela montanha, de aldeia em aldeia. Estava frio e por ali andava-se aos cogumelos, andava toda a gente. Somos todos cogumelos. E comestíveis, afiança-te o pára-brisas do carro. Ai as nossas aldeias exíguas, as nossas aldeias conspícuas, as nossas…

  • A pequena exploração agrícola

    A pequena exploração agrícola

    O Douro não é só vinhedos espraiados nas ladeiras voltadas ao rio e nas zonas mais altas, frescas e menos acidentadas: é também a quintarola ou granja de pequenas dimensões, o quintal à beira da casa de habitação ou dela afastado – o praediolum dos romanos.

  • Ao correr da pele

    Ao correr da pele

    [vc_row][vc_column][vc_column_text]A IDADE, o que tem de poço, intimida, quando nos sentimos envelhecer, quando os números são infinitamente povoados.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]

  • Matança do porco

    Matança do porco

    Gordo, gordinho, matulão, o porco chega ao terreiro, conduzido por aquele que havia de lhe pôr termo aos dias de ceva. Mirones, apesar do chuvisco frigidíssimo. Motivo para estar ali um garrafão encarapuçado por um púcaro de alumínio. «Vai um?» «Claro!» Dantes, já lá vão uns anitos, quando eu assistia ao ritual, reparava em um…

  • E o rio

    E o rio

    E O RIO quem o vê erguer-se do leito e pousar as formosas vogais, de vinha em vinha? O rio tem a forma dum sexo em pleno voo.

  • 11 de Novembro

    11 de Novembro

    [vc_row][vc_column][vc_single_image image=”6321″ img_size=”full” add_caption=”yes” alignment=”center” css=””][vc_column_text]Naquele magusto, já estava o sol a pôr-se e a gente continuava a dançar à volta do borralho. Alguém aproveitou o contra-luz para tirar uma fotografia onde se vê a alma de uma rapariga celta a voar para o castro. Há quem diga que não, que é apenas um efeito…