Categoria: Prosa Poética

  • Mulher do campo

    Mulher do campo

    [vc_row][vc_column][vc_single_image image=”74434″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Ia para o campo sempre com alguma coisa na mão, uma cesta, uma cordinha para atar qualquer coisa de trazer à cabeça, quando não uma alvorada, uma daquelas que eu já tinha visto à entrada de sua casa e a todo o momento o vidro ameaçava partir. As manhãs de Julho…

  • Habituei-me à ironia

    Habituei-me à ironia

    [vc_row][vc_column][vc_single_image image=”76401″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]A Carlos Loures Habituei-me à ironia naqueles anos limosos que precederam o 25 de Abril e, não sei se por hábito, se por que é, dou comigo a escrever umas coisas desagradáveis. O hábito é uma segunda natureza — afiançam velhos moralistas. Viver numa pequena cidade não era então nada fácil.…

  • A máquina

    A máquina

    [vc_row][vc_column][vc_single_image image=”8121″ img_size=”full” alignment=”center”][vc_column_text]Ainda era uma aldeia sossegada. Começaram a lavrar o quintal da casa onde viviam, ao longo do muro que demarca da via pública a courela cimeira. Ela à frente do jumento e ele atrás com a rabiça do arado. O jumento estacou subitamente e viram alguém chegar à cancela. Ele foi ver.…

  • A terra onde verdadeiramente nasces

    A terra onde verdadeiramente nasces

    [vc_row][vc_column][vc_single_image image=”76478″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]A terra onde verdadeiramente nasces não é onde te pariu a tua mãe, mas onde foste gerado e/ou passaste a infância, mesmo parte dela, que te marcou para sempre. Veredas e recantos cheios de vegetação, o céu ali, em cada coisa, sobretudo nas que se movem e dão volta ao infinito.…

  • Anoitece

    Anoitece

    Anoitece e agora, sim, a lua nova abeira-se do mar, dúvida nua antes da purificação. Uma gaivota vai seguir para lá e eu peço-lhe inutilmente que me leve consigo. O tempo deixará de existir quando a idade for uma estrela sem lados.

  • A vindima

    A vindima

    [vc_row][vc_column][vc_column_text]Na última vindima, ao cortar as uvas que deitava nos baldes, a gente falava alto e dizia graçolas como nos anos anteriores. Isso era o que se via. Mas de facto a gente cortava bocadinhos de si própria e deitava logo punhados de terra no vinho que acabava de descer à cova. Assusta ouvir o…

  • Porretas & Bugalhos

    Porretas & Bugalhos

    Se a música tem a idade dos pássaros e dos ventos na janela, esta banda também e com ela a minha infância. Bandinha de Porretas & Bugalhos, gloriosa bandinha, que ainda hoje vejo passar nas ruas em declive, voo rasante comigo dentro. Perdi muita coisa desde então e a primeira foi a noção do tempo…

  • A Poesia

    A Poesia

    [vc_row][vc_column][vc_column_text]A POESIA é o que há de infinito em cada palavra. Por isso muita gente sente vertigens, mal se abeira dela. Que fazer? Intrigante é que alguma dessa gente tente afugentar as vertigens com uma praga, qualquer, a qual, bem vistas as coisas, tem sempre algo de mágico, de poético. Pergunta-se: Que fazer? Será tal…

  • As nossas aldeias

    As nossas aldeias

    [vc_row][vc_column][vc_single_image image=”6957″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Ainda não sabias que forma de consolação te iria esperar, ao embrenhares-te pela montanha, de aldeia em aldeia. Estava frio e por ali andava-se aos cogumelos, andava toda a gente. Somos todos cogumelos. E comestíveis, afiança-te o pára-brisas do carro. Ai as nossas aldeias exíguas, as nossas aldeias conspícuas, as nossas…

  • Um cálice de Porto

    Um cálice de Porto

    [vc_row][vc_column][vc_single_image image=”6668″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text css=”.vc_custom_1568818421003{margin-bottom: 50px !important;}”]É esta a pipa e prefiro que sejas tu a encher os cálices. Assim. O vinho sobe na fina mangueira sorvido pela tua boca: o horror ao vácuo. Lei da física, a lei do amor. Pouca, a luz da loja começa a juntar-se à dócil turbulência e leva…