Categoria: Poesia
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A turba
[vc_row][vc_column][vc_column_text]À memória do grande poeta e amigo António Cabral A turba engole-me em sentidos Pela manhã o disco referve A minha antefebre esta volúpia De aromas e cores Vejo-te do arco Dizes-me Para que me debruce na minha vez E não escorregue na vertigem Silencio-me Deixo Que o Douro exale A minha circunstância É ser…
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Padre Max
[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”7609″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Ver os destroços do automóvel, o teu corpo ainda. E os dias cumprindo o arco, oh borboletas de fogo! Quem se atreverá a plantar-te na memória? «Foi melhor assim» – disseste, dentro já da inconsútil ideia oferecida. Era quase manhã: anoitecia o teu espírito visível nas estrelas. Digamos que não morreste,…
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Sob os álamos
Generalidades, generalidades… Só a poesia é gloriosamente múltipla: o relevo de cada ser, uma gruta.
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Leonor
[vc_row css=”.vc_custom_1645536714909{margin-bottom: 50px !important;}”][vc_column][vc_column_text]A Leonor continua descalça, o que sempre lhe deu certa graça. Pelo menos não cheira a chulé e tem nuvem de pó sobre o pé. Digam lá se as madames do Alvor são tão lindas como esta Leonor. Um filhito ranhoso na mão, uma ideia já podre no pão. Meia dúzia de…
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Dia de S. Martinho
[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”4372″ img_size=”full” add_caption=”yes” alignment=”center” css=””][vc_column_text]I S. Martinho, S. Martinho, S. Martinho milagreiro, Dá-me um saco de castanhas, Pois tu és um castanheiro. Se não fazes um milagre, Terás de vender a capa, Porque lá diz o ditado: Quem tem capa sempre escapa. REFRÃO Dá-me castanhas bem assadinhas e, a acompanhar, duas sardinhas. Quentes e…
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Ouve-se um rumor por Ribeiro Aires
No 5º aniversário do adeus de António Cabral, a minha homenagem em verso Ouve-se um rumor Não sei de onde Não sei de quê. Será o Douro em Castedo Por Cabral a soluçar? Ouve-se um rumor ânsia das palavras soltas do poema por escrever quando ainda o andavas a armar? Ouve-se um rumor Não sei…
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Aquele que trazia uma vinha guardada
[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”4061″ img_size=”large” alignment=”center”][vc_column_text]A António Cabral, no 5.º aniversário da sua morte Aquele que trazia uma vinha guardada na gaveta mais íntima da alma não pode ter morrido. Digamos que emigrou, com vontade de um dia regressar, voltar a ver o rio, afagá-lo como se afagam as cãs de um velho pai. Felizmente para nós,…
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O verde
[vc_row][vc_column][vc_column_text]O verde é a cor mortal por excelência, por isso mondar as campas rasas é sabê-lo de cada vez, avivando a imagem de quem ali está; e os jazigos de pedra não se apercebem disso. “Anima bella daquel nodo sciolta”, disse Petrarca. Verde, eis a verdadeira cor da palavra poética. Ninguém a lê sem mondar…