Categoria: Poesia
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Holograma
[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”6510″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Na rua, mesmo rente a uma casa, havia um papelinho rasgado de um livro a que ninguém prestava atenção. Ora, durante a noite, começou a ganhar raízes e a crescer com a frescura e a cor duma papoila em cujas pétalas se podia ler, mas ninguém lia: poemas. Ao outro dia,…
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Poema de Natal
[vc_row][vc_column][vc_column_text]Os desempregados e os que andam na guerra, aqui ou no Afeganistão, passam um Natal semelhante: perderam as certezas. O tempo não corre e congela nos livros, confundindo o futuro com o passado. Só se ouvem as gralhas. Europa, Europa, tão distraída me saíste![/vc_column_text][vc_message message_box_style=”outline” message_box_color=”grey” icon_fontawesome=”fa fa-book”]in Semanário Transmontano (21-12-2001)[/vc_message][/vc_column][/vc_row]
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Carta para um amigo da cidade
A vida aqui decorre normalmente.Nada de novo ou pouco.O tempo anda na montanha,circula como um bicho em fruto oco. Que hei-de eu dizer? Que faltambraços de homem para o campoe há quem se ponha a entristecercom sua inútil razão? Não sei se entendes. Estamos em Dezembroe por aqui apanha-se a azeitona.Como os braços não chegam,formam-se…
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Daniel Gonçalves
[vc_row][vc_column][vc_column_text] Prémio Literário António Cabral 2013 [/vc_column_text][vc_single_image image=”7629″ img_size=”full” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text] Poema com Mário Cesariny: como uma canção desesperada [/vc_column_text][vc_column_text]estou a dizer-te que já todos os poetas inventaram o amor que nas minhas mãos o amor é apenas silêncio que vaza que o amor não pode ser mais belo do que este verso: antes de…
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O homem que fugiu com o rio às costas
[vc_row][vc_column][vc_column_text]Nesta aldeia ainda vivem algumas pessoas que ao olharem para trás se codificam nas crenças insolúveis como areias que umas sob as outras ficam. Feiticeiras continuam a dançar na encruzilhada, algumas com dentes sãos pilhados a moribundos. Aqui havia um moinho, ali um lagar de xisto, naquele ramo de freixo um pescador se enforcara. Sexta-feira,…
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Na noite de S. João
Na noite de S. João, roubei-te os vasos, Maria. Ficaram-te dois no peito que hão-de ser meus, algum dia.
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Ratos no sotão
[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”79465″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]A Francisco Fanhais Esta gente não repara no que vai à sua frente. Nunca pára nem compara. Ai esta gente que gente! Outros escrevem a história; esta gente aceita a escrita. Roubam-lhe tempo e memória. Esta gente nem medita. Andam ratos pelo sótão do nosso belo país. Esta gente não dá…
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Homo, mensura
Eu não irei convosco, puros habitantes do sonho. O meu lugar é aqui, entre os homens: falo a sua linguagem, sinto as suas dores e tenho a consciência bem agarrada à carne e ao espírito – os dois poços em que nasce, desagua e se debate a impetuosa água do meu pensamento. Que me importam…