Categoria: Poesia
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Os búzios do 25 de Abril
No dia vinte de Abril de um, nove, sete, quatro, eram quatrocentos búzios os que enchiam um salão
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Apesar de tudo
[vc_row][vc_column][vc_column_text]Apesar de tudo, existe a beleza e, um dia, sabemos que ela passou no vale onde aceitámos viver. Basta um sonho e do suor eleva-se o perfume das laranjeiras. Basta um sorriso e todos nos sentimos verdadeiramente irmãos. Um dia fechamos o escorpião do medo no círculo triunfante do nosso amor: É tão simples –…
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Arte poética
[vc_row][vc_column][vc_column_text]Palavra que não se invente não é quente. Palavra que não tem dente não é gente. Flor que (fruti)fique no ramo todo o ano e o vergue para o chão ao alcance da mão. [/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]
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António Canteiro
[vc_row][vc_column][vc_column_text] Prémio Literário António Cabral 2019 [/vc_column_text][vc_single_image image=”14349″ img_size=”full” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text] (…) Cai em gotas, das folhas a manhã deslumbrada – Carlos de Oliveira [/vc_column_text][vc_empty_space][vc_column_text] Gândara [/vc_column_text][vc_column_text]A terra freme farta de chuva Uivam douradas dunas na orgia do vento ao sul Imaculados corpos dormem sobre descampados Arde ainda o dia Casa de adobo na cinza…
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Por aqui não
[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”6957″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Por aqui não há fábricas, há uns lagares de azeite e é um pau; mas também não há greves: já o negócio não vai assim tão mau. Nas eleições toca-se em tom de lá de baixo: essa é a cau- sa de os que mandam manda- dos terem umas promessas de…
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Pinhão, 8,20
[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”7712″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Em Junho, a fruta começa a apetecer. Um homem passeia no cais e debulha uma nêspera com ar de quem faz horas. 8,20 – diz o relógio. Espera-se. O comboio, um monstro de cem bocas, pardo e caduco, fumega lentamente como um charuto abandonado. Manhã de vidro. Vê-se a montanha, tem…
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A Casa do Douro
Empregados, vitrais, papéis, protestos, ralhos, tonéis e, lá do alto, um presidente. Um tronco para longas ramagens que se estendem, opulentas ou não, sobre o rio. Um tronco carcomido por velhos quindins, Em todo o caso, um tronco. Tirai a conclusão – diria Brecht. A conclusão, às vezes, é um queijo sem faca – penso…
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À minha filha Eva brincando com um papel
1 Tu és o ser mais belo do mundo. O ser em toda a sua beleza enchendo o meu espaço. Que bom, filha, falar-te com esta simplicidade! Vejo em ti o mundo que começa, sem estrelas ainda altas, sem rios que dividem, um impulso de luz, uma luz que eu não sei donde vem, apesar…
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À saída do correio
[vc_row][vc_column width=”1/4″][/vc_column][vc_column width=”1/2″][vc_column_text]- Donde vem a carta, senhora Maria? – Vem da capital é da Companhia. (A Maria Pêdra tem um ar de pedra onde nem deixaram crescer uma erva). – E que diz a carta, senhora Maria? – Que no Douro o sol nasce ao meio-dia. (A Maria Pêdra fala como quem entra numa…
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Descalça vai para a fonte
[vc_row][vc_column width=”1/6″][/vc_column][vc_column width=”2/3″][vc_single_image image=”8237″ img_size=”full” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]I Descalça vai para a fonte Leonor pela verdura: vai formosa e não segura. II Se tivesse umas chinelas iria melhor…; mas não: co dinheiro das chinelas compra um pouco mais de pão. Virá o dia em que os pés não sintam a terra dura? Leonor sonha de mais:…