Categoria: Douro
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Sete notas para uma sinfonia
1. Só saberás a música do vinho,quando ouvires o sol,dedo a dedo na vinha,esta guitarra. 2. No Douro só o nome é de ouro.As verdades são mais ou menos assim. 3. Curvam-se os homens sob os cestos de uvas:uma atitude de reverência. 4. Mudam-se os tempos, não muda a vindima:a mesma lua sobre o pensamento.…
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O motim
[vc_row][vc_column][vc_column_text]Dos amotinados de 1757 nomeio a Estrelada. Se gostava da pingoleta coisa que não sei: vinho tem razões que a razão desconhece e as razões são aos milhões. Certo, certo é que o Marquês disse por cima do ombro: nas tabernas do Porto vinho só o da Companhia — ponto final. Vírgula, disse o povo,…
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Figos pretos
[vc_row][vc_column][vc_column_text]Subimos aos calços mais altos em busca dos figos pretos de que a mãe tanto falava. A cor exerce em nós alguma atracção que nos leva a desafiar estes íngremes taludes onde ruíram paredes e com elas as lajes salientes que serviam de degraus. Escorregamos na luz, de pedra, e as figueiras olham-nos como gatos…
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Canção de embalar
[vc_row][vc_column][vc_column_text]O gato do vento mia nas frinchas da janela. “Dorme, menino, dorme.” Teu pai anda triste como as sombras do fundo da cozinha pois, há dois dias, o vento destroça as inocentes videiras sem defesa. Vê-se da janela o bailado infernal: parecem virgens malucas ou esqueletos a que roubassem a carne e a alegria. Mas…
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Sobre o Douro na manhã verde
[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”74331″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]A paisagem dilatava-se para as bandas de Cinfães, com uma revoada de casas a pousar entre o arvoredo, abrigando-se das asperezas da serra de Montemuro. Uma ponte branca sobre o Douro punha na manhã verde uma palavra quente, aberta ao Sol que estava já mais próximo de tudo e ia entrando…
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Momento
[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”73893″ img_size=”large” alignment=”center”][vc_column_text]Nesta manhã de Abril a terra fala e cada coisa diz uma palavra: o sol, as árvores e aquele melro, carvão aceso numa urze em flor. Trazemos os pés húmidos da relva, mas, sob o pólen fulvo dos pinheiros, que a aragem leva, uma forte volúpia nos dilata as narinas e transborda…
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Xácara
[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”19518″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][/vc_column][/vc_row][vc_row full_width=”stretch_row” disable_element=”yes” css=”.vc_custom_1708693844209{background-color: #f9f9f9 !important;}”][vc_column][vc_column_text]Velhas crenças, guitarra do silêncio acordando no fundo da memória, entre lumes e brumas, todo o intenso perfume duma triste linda história. Gruta ou palácio, aí se desencanta bulir de sombras, retinir de gládios. Sempre a mão do destino se levanta; há sempre a rosa fúlgida…
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Junqueiro na berlinda
[vc_row][vc_column][vc_column_text]“Inquiriram, uma ocasião, de Junqueiro que paisagem portuguesa preferia. Respondeu: – Prefiro o Buçaco e as praias do Sul. A floresta e o mar são as aproximações do infinito. A floresta é uma oração; o mar uma grande messe de ondas. – E Barca de Alva, Sr. Junqueiro? – Barca de Alva é demasiado trágico…
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Historinhas de Galegos no Douro – parte 3/3
[vc_row][vc_column][vc_column_text] As chouriças doces [/vc_column_text][vc_column_text]Ao fim duns tempos, juntaram-se os três grupos porque já tinham saudades uns dos outros. Foram dar a uma aldeia onde se distribuíram por quatro casas de lavoura. A um rancho numa delas deram-lhe chouriças doces com água-pé. Comeram, comeram e tanto gostaram que pediram à patroa-nai [1. mãe] que lhes…
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Historinhas de Galegos no Douro – parte 2/3
[vc_row][vc_column][vc_column_text] Amaruchar amarucham [/vc_column_text][vc_column_text]Um dia, iam de uma aldeia para outra e sentiram fome. Viram um portuguesito que estava a varejar umas nogueiras e lá lhes pareceu que eram pessegueiros. Regulavam mal da cabeça, tal a larica e a sede que deles se tinham apoderado. O mais afouto e reguila, o tal que contava os…