Categoria: Crónica

  • Casamento de arromba

    Quando cheguei, dei logo conta de que o meu 2CV destoava dos automóveis de luxo que reluziam no largo e pelas ruelas do Fiolhoso (até ouvi um puto dizer, mãos nos bolsos e nariz apontado: “Ah, este é o melhor!”), ruelas onde também velhas casas de blocos de cantaria, meio destelhadas e de portais caídos…

  • Corrida de caracóis

    Corrida de caracóis

    [vc_row][vc_column][vc_single_image image=”6006″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Num verão dos anos 50, o Padre Adolfo Magalhães anunciou no Vidago, onde era pároco, uma corrida de caracóis. Os aquistas daquela estância termal acorreram em grande número ao salão do hotel onde o feito ia realizar-se. Muito simples. Em cima de uma mesa, o padre fantasista e bem humorado colocou…

  • Um passeio no Rio Douro

    Um passeio no Rio Douro

    [vc_row][vc_column][vc_column_text]Terminou o nosso passeio. Douro arriba, quando o autocarro passou a cavaleiro de Mazouco. De Barca de Alva até ali, com tantas curvas entre vinhas, olivais e manchas de um verde esmaecido de amendoeiras, alguns laranjais também, estes de cor mais pimpona, ao aconchego do regadio, impressionou-me o Penedo Durão com seu arreganho para terras…

  • As panelas suspensas

    As panelas suspensas

    [vc_row][vc_column][vc_column_text]Na Idade Média praticavam-se as cavalhadas (do castelhano caballadas), torneios de cavaleiros que, com um pau ou uma cana e cavalo à desfilada, procuravam tocar em objetos suspensos de uma corda. O jogo das panelas com burro terá aí a sua origem. Espécie de imitação burlesca. Mas este jogo pode dispensar, como mais acontece, os…

  • Onde se fala de mortos vivos

    Onde se fala de mortos vivos

    Quando a noite invade brejos e fundões, encruzilhadas, descampados, casarões e especialmente os cemitérios, a imaginação humana tende a ser também invadida pelo sentido do oculto e pela insegurança, o que não raro está na origem de bizarras ilusões e alucinações em que falsamente se percepcionam coisas do arco da velha. “Era a mão dele,…

  • O Orfeu rebelde

    O Orfeu rebelde

    [vc_row][vc_column][vc_single_image image=”4743″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Quando em 1962 escrevi sobre ele um texto que posteriormente vim a publicar, não descansei enquanto não lho mostrei na sua casa de S. Martinho de Anta. Estava acompanhado da esposa e eu lia, prescrutando-lhe os gestos, que sempre lhe rebentavam de dentro, como renovo de mato bravio. Sabia já que…

  • Os formigos

    Os formigos

    O automóvel chega às Taipas, desliza por uma rua prolongada entre muretes e coisas verdes e pára, segundo o combinado, junto do tal limoeiro. Uma pena que aquele pinheiro manso, farfalhudo como um discurso, não estivesse também ao alcance da mão.

  • Os Pyjamantes

    Os Pyjamantes

    [vc_row][vc_column][vc_column_text]Existe em Vila Real, desde 1956, uma confraria que não tem outra finalidade do que comer bem, beber melhor e encarar a vida com um sorriso permanente, pelo que os pyjamantes se reúnem uma vez por ano, convencidos de que os anos são sempre muitos no calendário da fraternidade em festa. O sábado que precede…

  • Magustos

    Magustos

    [vc_row][vc_column][vc_single_image image=”4336″ img_size=”full” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Quem entre o dia de Todos os Santos e o dia de S. Martinho, sobretudo neste, não participou num magusto em plena montanha, sentindo-se livre como um animal bravio, como ele cheio de olhos para as coisas em volta, a projectar uma sombra partilhada pelos convivas e pelo vento, bem pouco…

  • Paisagem cultural duriense

    [vc_row][vc_column][vc_column_text]Estou há meia hora debaixo da ramada, a quarenta e cinco passos do portão, atento ao que vai na rua. Ainda não vi um homem a cavalo: vê-se cada vez menos. Pouca gente e alguns carros — sinal de quê? Um rapaz de pólo sanguíneo atrai-me a atenção: atira com uma bola ao ar, não…