Autor: António Cabral
-

A missa do galo
A Missa do Galo começa à meia noite, mas o Catrino chega uns minutos depois e encosta-se à pia de água benta no fundo da igreja. Calado como um rato, não reza nem canta, vendo-se-lhe somente bulir os olhos, como se fossem as luzinhas dum gravador. Ou pontos de interrogação.
-

A máquina
[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”8121″ img_size=”full” alignment=”center”][vc_column_text]Ainda era uma aldeia sossegada. Começaram a lavrar o quintal da casa onde viviam, ao longo do muro que demarca da via pública a courela cimeira. Ela à frente do jumento e ele atrás com a rabiça do arado. O jumento estacou subitamente e viram alguém chegar à cancela. Ele foi ver.…
-

A terra onde verdadeiramente nasces
[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”76478″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]A terra onde verdadeiramente nasces não é onde te pariu a tua mãe, mas onde foste gerado e/ou passaste a infância, mesmo parte dela, que te marcou para sempre. Veredas e recantos cheios de vegetação, o céu ali, em cada coisa, sobretudo nas que se movem e dão volta ao infinito.…
-

Foi de facto numa roga
De seu nome Francisco Alexandre Lobo, o caseiro viera para a quinta numa roga de montanheiros dos lados de Jales. Na sua terra, a Cerdeira, tinha assistido à debandada dos rapazes da sua idade, desejosos de vida mais limpa, a governarem agora a vida na França e outros países onde o dia, dizem eles, só…
-

O comboio do Douro
[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”7895″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Do comboio a paisagem oposta vê-se mais e levanta problemas, por isso é bom que no túnel da Valeira os olhos fechem para contas. Tão loquaz seria o alcantil a falar de naufrágios e gente na miséria, peixes que vêm à tona por dá-cá-aquela-palha! Lucidamente in- conveniente, senhor próximo ex-Primeiro Ministro.…
-

Oh meu rico S. João
[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”7734″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Ao meu espírito, como aos de toda a gente, dá-lhes às vezes para fazer ventolas no passeio dominical. Sentida a guinada, desvio-me, como não pode deixar de ser. Ainda bem, se o imprevisto é consolador. Ir à Serra da Estrela e parar no caminho para o comes-e-bebes. O sol a derreter…
-

Canção da fronteira
[vc_row][vc_column width=”1/4″][/vc_column][vc_column width=”1/2″][vc_column_text]Moça tão formosa não vi na fronteira como uma ceifeira que cantava rosa. Foi em Barca d’Alva quando o sol nascia uma ceifeira cantava cantando vertia trovas na fronteira quando o sol nascia. A saia de chita, bluzinha limão. Que coisa bonita sobre o coração! Nos ramos da luz um fruto limão. De…
-

Anoitece
Anoitece e agora, sim, a lua nova abeira-se do mar, dúvida nua antes da purificação. Uma gaivota vai seguir para lá e eu peço-lhe inutilmente que me leve consigo. O tempo deixará de existir quando a idade for uma estrela sem lados.

