Autor: António Cabral
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Magustos
[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”4336″ img_size=”full” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Quem entre o dia de Todos os Santos e o dia de S. Martinho, sobretudo neste, não participou num magusto em plena montanha, sentindo-se livre como um animal bravio, como ele cheio de olhos para as coisas em volta, a projectar uma sombra partilhada pelos convivas e pelo vento, bem pouco…
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Na terra, camponês
[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”7815″ img_size=”full” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Na terra, camponês, vejo-te derreado ao peso de tanto azul, como o chasco que não se deixasse nomear e andasse de ramo em ramo dentro do carrasco, sem descobrir uma saída. Morreremos ambos ao som da mesma flauta, pois ambos temos de cultivar uma vinha em declive. Escrever é também uma…
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O verde
[vc_row][vc_column][vc_column_text]O verde é a cor mortal por excelência, por isso mondar as campas rasas é sabê-lo de cada vez, avivando a imagem de quem ali está; e os jazigos de pedra não se apercebem disso. “Anima bella daquel nodo sciolta”, disse Petrarca. Verde, eis a verdadeira cor da palavra poética. Ninguém a lê sem mondar…
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Versos que parecem uma brincadeira mas não são
[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”7698″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]I O Douro gera vinho e pedra; vida – – pedra é o que gera: pedra nua bem os- suda, bem os- suda, bem des nuda. II O Douro gera vinho e pedra – disse al- guém que Deus lá tem, disse al- guém que quis di- zer: venham ver…
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O prazer lúdico
[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”80154″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Encarecer a necessidade do prazer lúdico num tempo em que a crise económica parece avassaladora, sendo fracos os indícios de contenção, afigurar-se-á como jogo perigoso. É certo que o industrialismo expansionista, apesar de ameaçado, ele que se julgava na posse do segredo da galinha dos ovos de ouro, tenta recompor-se, fazendo…
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Paisagem cultural duriense
[vc_row][vc_column][vc_column_text]Estou há meia hora debaixo da ramada, a quarenta e cinco passos do portão, atento ao que vai na rua. Ainda não vi um homem a cavalo: vê-se cada vez menos. Pouca gente e alguns carros — sinal de quê? Um rapaz de pólo sanguíneo atrai-me a atenção: atira com uma bola ao ar, não…
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Corrida de cestos vindimos
[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”7711″ img_size=”full” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]As vindimas são a maior festa natural do Douro. Trabalha-se e brinca-se, ao mesmo tempo. Um cacho de uvas na mão ou a caminho do lagar é uma promessa. Canta-se à vinda do trabalho; dança-se, à noite, num terreiro, onde se puder dançar; e os próprios instrumentos de trabalho dão origem…
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Vilar de Perdizes
[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”3479″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Da relação com o desconhecido vive o Congresso de Medicina Popular em Vilar de Perdizes. Um lacrau passeia douradamente no antebraço do curandeiro. E certa mulher, que havia urinado a sabedoria deste mundo e do outro nuns codessos, deixa-se morder. O cancro resistirá ao veneno (sabe- -se lá) mas a flor…
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Emigrantes
[vc_row][vc_column][vc_column_text]Portugal cheiinho de emigrantes. A rebentar pelas costuras. A transbordar. Nas aldeias, nas vilas e nas pequenas cidades do interior os emigrantes dão nas vistas: carros que voam, dinheiro a luzir, a alegria dum abraço. Tudo ruidoso. A saudade das férias. A esperança reanimada ao calor das noivas e das mães. Alguns sonhos partidos, é…
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Oh meu S. Bartolomeu
Ora atenção a S. Bartolomeu (ou Bertolameu, como também se diz em S. Bartolomeu do Mar, a uma cancha de Esposende) cuja festa se aproxima e de quem vou hoje falar de raspão, ao bulir-me pitoresca parlenda que, espraiada entre o responso, a encomendação e a xácara, eu conhecia em criança como remédio contra coisas…