Autor: António Cabral
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Holograma
[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”6510″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Na rua, mesmo rente a uma casa, havia um papelinho rasgado de um livro a que ninguém prestava atenção. Ora, durante a noite, começou a ganhar raízes e a crescer com a frescura e a cor duma papoila em cujas pétalas se podia ler, mas ninguém lia: poemas. Ao outro dia,…
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O Pai da Carne
É assim que lhe chamam em Cheires (concelho de Alijó): Pai da Carne – um grande boneco de palha e trapos, com um falo monumental. A festa acontece na noite de Terça-Feira Gorda e é um dos luxos da rapaziada, um luxo que no fundo é um ato de expansão instintiva onde rumoreja um simbolismo…
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Matança do porco
Gordo, gordinho, matulão, o porco chega ao terreiro, conduzido por aquele que havia de lhe pôr termo aos dias de ceva. Mirones, apesar do chuvisco frigidíssimo. Motivo para estar ali um garrafão encarapuçado por um púcaro de alumínio. «Vai um?» «Claro!» Dantes, já lá vão uns anitos, quando eu assistia ao ritual, reparava em um…
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Poema de Natal
[vc_row][vc_column][vc_column_text]Os desempregados e os que andam na guerra, aqui ou no Afeganistão, passam um Natal semelhante: perderam as certezas. O tempo não corre e congela nos livros, confundindo o futuro com o passado. Só se ouvem as gralhas. Europa, Europa, tão distraída me saíste![/vc_column_text][vc_message message_box_style=”outline” message_box_color=”grey” icon_fontawesome=”fa fa-book”]in Semanário Transmontano (21-12-2001)[/vc_message][/vc_column][/vc_row]
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Carta para um amigo da cidade
A vida aqui decorre normalmente.Nada de novo ou pouco.O tempo anda na montanha,circula como um bicho em fruto oco. Que hei-de eu dizer? Que faltambraços de homem para o campoe há quem se ponha a entristecercom sua inútil razão? Não sei se entendes. Estamos em Dezembroe por aqui apanha-se a azeitona.Como os braços não chegam,formam-se…
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O caldeireiro
Quando o tempo começa a tartamudear e os primeiros calafrios ameaçam a folhagem, o caldeireiro assoma à boca da rua. Aí vem ele. Da mão pinga-lhe uma sertã em cujas costas martelinho ligeiro, repenica, como se ela estivesse com soluços. Todo o bicho-careto, especialmente o gado fraldeiro, mete o nariz por janelas e janelos,…
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11 de Novembro
[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”6321″ img_size=”full” add_caption=”yes” alignment=”center” css=””][vc_column_text]Naquele magusto, já estava o sol a pôr-se e a gente continuava a dançar à volta do borralho. Alguém aproveitou o contra-luz para tirar uma fotografia onde se vê a alma de uma rapariga celta a voar para o castro. Há quem diga que não, que é apenas um efeito…
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Entrevista com António Cabral
[vc_row][vc_column][vc_column_text] Parte I Parte II https://soundcloud.com/antonio-cabral-1931-2007/entrevista-com-antonio-cabral-ii[/vc_column_text][vc_message message_box_style=”outline” message_box_color=”grey”]Entrevista com António Cabral efectuada a 29 de Abril de 2001, no programa de rádio “Café Connosco” da Rádio Voz do Marão[/vc_message][/vc_column][/vc_row]