Autor: António Cabral
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Descendo a quinta do Roncão
Ao longo do caminho, há pampilros e um sol quente derrama-se na vinha. É domingo e é Abril. Desço a vertente tão simplesmente como um fio de água.
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Um barbeiro diplomado
Quando tinha a idade das vinhas a assumirem-me diariamente os olhos, comecei eu a sentir uma admiração respeitosa, que o respeitinho é muito bonito, pelo senhor José. Para ser doutor só lhe faltava o curso, que o diploma já toda a gente lho conhecia, e como tal era tido e havido na aldeia. O senhor…
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Faremos do envelhecer uma arte?
O tempo devolve, quase intacto,o olhar suficiente. E as águasvão ficando para trás, mansas,algumas à nossa frente,no hábito de as reflectir.Há um sabor, um odor subtilde madeiras, quando esculpimosas mãos.
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Na repartição
Que tempo se passana repartição,esperando a vezque virá ou não! O Zé de Soutelotem olhar de boi.Que espera de pedraum homem remói! Senhor empregadoda repartição,fale em futebolnoutra ocasião. O Zé tem um arde coelho bravoe o silêncio negrodum antigo escravo. Senhor empregado,não berre coa gentee atenda primeiroos que estão à frente. O pobre do Zéjá…
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A necessidade do Jogo Popular
O jogo popular é caracteristicamente uma expressão cultural. Não deve confundir-se com o desporto: precede-o, tem características que lhe ampliam o modo de ser, embora frequentemente lhe corra ao lado, mas sem os rigores federativos, as regras fixas e o carácter mais de competição do que de festa, destacando-se-lhe a ligação regional, o que naturalmente…
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Sete notas para uma sinfonia
1. Só saberás a música do vinho,quando ouvires o sol,dedo a dedo na vinha,esta guitarra. 2. No Douro só o nome é de ouro.As verdades são mais ou menos assim. 3. Curvam-se os homens sob os cestos de uvas:uma atitude de reverência. 4. Mudam-se os tempos, não muda a vindima:a mesma lua sobre o pensamento.…
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Padrenosso pequenino
Já os galos pretos cantam, já os anjos se alevantam popular Aqui está um dístico bem popular quanto ao paralelismo estrutural e anafórico e quanto ao imaginário mágico-religioso. Sabe-se que a quadra e o e dístico são os sistemas estróficos mais do agrado da criação poética do nosso povo que, por outro lado, reservava na…
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Mulher do campo
[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”74434″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Ia para o campo sempre com alguma coisa na mão, uma cesta, uma cordinha para atar qualquer coisa de trazer à cabeça, quando não uma alvorada, uma daquelas que eu já tinha visto à entrada de sua casa e a todo o momento o vidro ameaçava partir. As manhãs de Julho…
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Feiras e artesãos
[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”80846″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Tenho entre as mãos um livro de A. M. Galopim de Carvalho [1. A. M. Galopim de Carvalho – O cheiro da madeira. Lisboa: Editorial Notícias, 1993], Director do Museu Nacional de História Natural e cientista que se tem distinguido na luta pela preservação das pegadas de dinossauros em Carenque (Sintra).…
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Jogar é um direito da criança
[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”80144″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Nos princípios de Setembro de 1983, o alcaide de Corcubión (A Corunha) telefonou-me para eu dar um curso de cinco dias na Universidade Popular de Verão daquela pitoresca localidade galega (19 a 23 de Setembro de 1983). Que os jogos populares tinham dali praticamente desaparecido e que era preciso incentivar as…