Categoria: Prosa Poética

  • O vinho

    O vinho

    [vc_row][vc_column][vc_single_image image=”12499″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]UM HOMEM EMBRIAGA-SE quando tem muito que dizer e pouco ou nada que fazer. Pelo menos nesta aldeia é assim. Entra ele em casa, olé, rosas por todo o corpo, aproxima duas cadeiras e diz à mulher: estou bêbedo. Ela obedeceu. E uma osga, toda olhos, suspendeu a travessia da cal.…

  • 11 de Novembro

    11 de Novembro

    [vc_row][vc_column][vc_single_image image=”6321″ img_size=”full” add_caption=”yes” alignment=”center” css=””][vc_column_text]Naquele magusto, já estava o sol a pôr-se e a gente continuava a dançar à volta do borralho. Alguém aproveitou o contra-luz para tirar uma fotografia onde se vê a alma de uma rapariga celta a voar para o castro. Há quem diga que não, que é apenas um efeito…

  • Aos pequenos viticultores durienses

    Aos pequenos viticultores durienses

    [vc_row][vc_column][vc_single_image image=”7701″ img_size=”full” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]A VINHA, coisa breve. Fica num altinho. E o ti Quim vê ao longe o Marão onde se afundam muitas estrelas brilhantes e é por isso que aí nascem os ventos. Se tossir, levanta-se uma revoada de estorninhos. Estorninhos, ou melhor, um cacho de tinta roriz que solta os reflexos impacientes.…

  • Páscoa

    Toda a ressurreição é uma passagem. Ressuscitar é mudar de lugar. O que é possível ver no que se não vê. O milagre. E o cientista quântico é um pescador de milagres. De ostras. Há ostras por toda a parte e em cada uma delas uma pérola. A ciência e a religião, imbuídas de arte…

  • O Diabo

    O Diabo

    No Auto de Natal o actor que fazia de Diabo levou tão a sério o seu papel que, após divertir a assistência, desprendeu um cordeirinho do Presépio e fugiu com ele. Ainda houve quem o perseguisse, mas o marau, enfarruscado, cornos e rabigo, arreganhava a dentuça que cuspia lume. Porra, deixá-lo ir.

  • Na terra, camponês

    Na terra, camponês

    [vc_row][vc_column][vc_single_image image=”7815″ img_size=”full” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Na terra, camponês, vejo-te derreado ao peso de tanto azul, como o chasco que não se deixasse nomear e andasse de ramo em ramo dentro do carrasco, sem descobrir uma saída. Morreremos ambos ao som da mesma flauta, pois ambos temos de cultivar uma vinha em declive. Escrever é também uma…

  • Sol crescente

    Sol crescente

    Neste Julho de sol crescente em que até as pedras se convertem em frigideiras gosto de ir até ao quintal e sentar-me à entrada do alpendre, sob a ramada. – Olhe que as plantas, desde uma ervinha a uma videira, têm a sua parte d’alma; ora veja se consegue notar; às vezes, só de estarmos…