Categoria: Poesia
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O molho de giestas
[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”8122″ img_size=”large” alignment=”center”][vc_column_text]Quando vem ao longe com um molho de giestas, talvez ela pareça outro molho em posição vertical. Desajeitada. Um dia, um turista, depois de a fotografar com um ar de arqueólogo, e de lhe atirar uns olhos vomitados sobre os pés, cuspiu muito simplesmente para o lado. Vinha descalça. Talvez por comodidade,…
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O comboio do Douro
[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”7895″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text]Do comboio a paisagem oposta vê-se mais e levanta problemas, por isso é bom que no túnel da Valeira os olhos fechem para contas. Tão loquaz seria o alcantil a falar de naufrágios e gente na miséria, peixes que vêm à tona por dá-cá-aquela-palha! Lucidamente in- conveniente, senhor próximo ex-Primeiro Ministro.…
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Canção da fronteira
[vc_row][vc_column width=”1/4″][/vc_column][vc_column width=”1/2″][vc_column_text]Moça tão formosa não vi na fronteira como uma ceifeira que cantava rosa. Foi em Barca d’Alva quando o sol nascia uma ceifeira cantava cantando vertia trovas na fronteira quando o sol nascia. A saia de chita, bluzinha limão. Que coisa bonita sobre o coração! Nos ramos da luz um fruto limão. De…
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Eu…
Da fraga jorra a água, Eu sou a fraga, A chorar de mágoa. Sou a vinha, Prenhe de vida Na vindima. A derramar folhas Como flores de todas as cores, No outono. Sou a cepa velhinha, retorcida, A contar histórias de vidas, Perdidas no esquecimento. Sou o socalco rasgado Com suor e sofrimento, Degrau da…
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Nuno Figueiredo
[vc_row][vc_column][vc_column_text] Prémio Literário António Cabral 2017 [/vc_column_text][vc_single_image image=”7620″ img_size=”full” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text] Sublimação da matéria [/vc_column_text][vc_column_text]pouso a mão sobre a terra e digo: sou daqui, esta é a minha casa, aqui pertenço. eu sou deste país feito de barro e pedras onde à noite vêm beber as árvores, onde nascem os rios e acordam as palavras.…
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A carta
[vc_row][vc_column][vc_column_text] Ao António Cabral Amigo, estou bem, obrigado! (Entre nós a verdade persiste) é aqui que gosto de estar, neste largo planalto queimado onde o barrosão ainda resiste. Quero-me no meio deste Povo de suor, de nervos, de olhos baços com mãos que amadurecem o centeio e longas noites para reparação dos cansaços sem fantasmas…
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Isso de uma personalidade poética
Não tenho uma personalidade poética, não quero ter uma personalidade poética, isso de uma personalidade poética é um artifício, uma abstracção, um limite, um bluff. Respiro os quatro ventos que me entram na carne, pelas palavras, revolvem, estilhaçam, refazem as vísceras e o pensamento, as vísceras do pensamento. Estou atento a todas as formas do…

