Categoria: Poesia
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As quatro estações
[vc_row][vc_column][vc_column_text]Primavera — O teu corpo quando vens ter comigo Verão — A tarde escorrendo nos teus ombros Outono — O vento desfolhando o teu cabelo Inverno — A porta por onde entravas [/vc_column_text][vc_empty_space height=”64px”][/vc_column][/vc_row]
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Perfil: António Cabral
[vc_row full_width=”stretch_row” css=”.vc_custom_1690805231441{background-color: #f9f9f9 !important;}”][vc_column][vc_single_image image=”76939″ img_size=”full” alignment=”center” onclick=”custom_link” img_link_target=”_blank” link=”https://arquivos.rtp.pt/conteudos/perfil-antonio-cabral/”][vc_column_text]A 19-10-1978 a RTP (Rádio Televisão Portuguesa) dedicou o programa Perfil (da autoria de Alexandre O’Neill e Rui de Brito) ao poeta António Cabral. Este programa encontra-se protegido por direitos de propriedade industrial e direitos de autor, podendo ser visualizado nos Arquivos RTP. Poemas declamados:…
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Canção de embalar
[vc_row][vc_column][vc_column_text]O gato do vento mia nas frinchas da janela. “Dorme, menino, dorme.” Teu pai anda triste como as sombras do fundo da cozinha pois, há dois dias, o vento destroça as inocentes videiras sem defesa. Vê-se da janela o bailado infernal: parecem virgens malucas ou esqueletos a que roubassem a carne e a alegria. Mas…
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Numa praia do sul
[vc_row][vc_column][vc_column_text]A Afonso Cautela Aqui numa praia do sul o vento é morno e os dias são de cera. Retiro as escamas do quotidiano pensar. Ácidas, salitrosas. E assim mergulho numa lentidão de algas e sal. Assim te imagino, aldeia longínqua, cada vez mais sepultada entre vinhedos. Algures no norte. Semeada no sol. O meu tronco…
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Momento
[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”73893″ img_size=”large” alignment=”center”][vc_column_text]Nesta manhã de Abril a terra fala e cada coisa diz uma palavra: o sol, as árvores e aquele melro, carvão aceso numa urze em flor. Trazemos os pés húmidos da relva, mas, sob o pólen fulvo dos pinheiros, que a aragem leva, uma forte volúpia nos dilata as narinas e transborda…
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Xácara
[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”19518″ img_size=”large” add_caption=”yes” alignment=”center”][/vc_column][/vc_row][vc_row full_width=”stretch_row” disable_element=”yes” css=”.vc_custom_1708693844209{background-color: #f9f9f9 !important;}”][vc_column][vc_column_text]Velhas crenças, guitarra do silêncio acordando no fundo da memória, entre lumes e brumas, todo o intenso perfume duma triste linda história. Gruta ou palácio, aí se desencanta bulir de sombras, retinir de gládios. Sempre a mão do destino se levanta; há sempre a rosa fúlgida…
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Pedro Eiras
[vc_row][vc_column][vc_column_text] Prémio Literário António Cabral 2021 [/vc_column_text][vc_single_image image=”71826″ img_size=”full” add_caption=”yes” alignment=”center”][vc_column_text] E aqui moram os desesperados [/vc_column_text][vc_column_text]E aqui moram os desesperados que aprenderam a respirar fora de água. À primeira vista, são como qualquer pessoa: nos cafés, consultando telemóvel, trocos, linhas da fortuna, dando a vida de barato em troca de noites sem susto, menos…
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Meditação com um menino
[vc_row][vc_column][vc_column_text]“Aonde vás, niño?” Luís Alberto de Paraná 1 Aonde vais, menino, com esse olhar que se alonga, alonga como se fosse dar a volta ao mundo? Quantos anos tens? Que idade futura? Quem te deu esses olhos e pôs uma bárbara estrela a devorar o silêncio? 2 Podias ter ficado na rua com os outros…
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Não é fácil, Senhor, a vida que nos deste
[vc_row][vc_column][vc_column_text]Não é fácil, Senhor, a vida que nos deste. Se há momentos serenos como lagos inundados de sol, também há a seiva escura, infindável e escura, de muitas horas que cansam e fazem doer a alma. Há longas esperanças que, depois de levarem o melhor dos nossos sonhos, desabam de repente. Há o fracasso, o…
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Poesia e amoras
[vc_row][vc_column][vc_column_text]Quero que este poema saiba às amoras que pendem em cachos nos muros do caminho. No meio do vale estou eu só. Lentamente a manhã possui-me e vibro. Não há torrão e arbusto que não vibre; sinto-me irmão de arbustos e torrões. Aquele medronheiro, verde e ossudo, entrou-me todo pelos músculos. Pastor que segues lento…